QUANDO A AUTOPROMOÇÃO E O DESEJO DE SER VISTO EMBURRECEM O HOMEM E O EXPÕE AO RIDÍCULO

Publicado: abril 6, 2017 em Uncategorized

O que as redes sociais revelam sobre o homem?

Não, não estou pensando em aspectos externos que envolvam localização, privacidade, segurança, senhas, criptografias, e etc.

Estou pensando no que elas revelam sobre o homem interior, suas complexidades, seus traumas, e as mazelas decorrentes de experiências dolorosas, talvez, mal resolvidas e sequer reconhecidas e ou enfrentadas.

Em nossa história jamais houve um período em que o homem tivesse tantos mecanismos de exposição quanto nessa época maluca que estamos vivendo, onde é totalmente possível externalizar para o mundo inteiro os seus gostos, planos, fracassos, vitórias, decepções, e intimidades.

A globalização, o pós-modernismo, e o hedonismo têm contribuído de maneira muitíssimo eficiente a fim de levar muitos a um total emburrecimento em suas relações nas redes sociais ao manifestarem-se de maneira reprovável e, muitas vezes, ridículas e numa velocidade estratosférica.

Por uma questão de justiça não podemos culpar as redes sociais por essa exposição sem fim, pois elas foram muito bem concebidas e são frutos do desejo inerente que temos de relacionar uns com os outros nos mais diferentes níveis e das mais diferentes formas, afinal, somos seres sociais, isso é ótimo, e fomos criados para nos relacionar – elas apenas têm sido o mecanismo de revelação dos recalques, segredos, dramas e tragédias do homem expondo o que está no seu coração.

Num impulso insano de alardear o que está acontecendo à sua volta, ou no que está sofrendo e sentindo, o homem tem divulgado informações íntimas e pessoais a outros que definitivamente não precisavam ser informados e, em sua maioria, muito provavelmente nem se interessariam em ser – apenas a rede social impõe isso. Nesse afã o bom senso é jogado para as “cucuias” e os “sem noção” vão se revelando aos montes!

Infelizmente, muitos têm sido verdadeiramente escravizados pela necessidade da obrigação de divulgar tudo o que está acontecendo e, pasmem, quando não está acontecendo nada elas inventam e ou até fabricam situações a fim de render curtidas, comentários, compartilhamentos, e é justamente nesse afã surreal que a exposição ao ridículo torna-se inevitável. A esse fenômeno tenho dado o nome de o emburrecimento decorrente da necessidade de ser visto, aceito e proclamado.

Quando se envereda por esse caminho insano da autopromoção para a aceitação simplesmente o homem revelará para o mundo as lacunas de sua vida que deveriam ser sim preenchidas, mas com relacionamentos saudáveis, reais e não virtuais, que seriam desencadeadores da vida abundante e de grande satisfação que realmente se almeja ter.

Sim, a exposição em redes sociais de recalques, dramas e tragédias pessoais, traições, inimizades e decepções é uma forma errada, caricata e absolutamente solitária de viver a vida, de lidar com os vazios existenciais, e de demonstrar uma baixíssima autoestima e o quanto se está insatisfeito consigo.

Ademais, ao se divulgar uma pseudovida feliz acaba-se por desnudar para o mundo uma que é absolutamente irreal – isso poderia até ser positivo pra quem o faz se fosse acompanhado do enfrentamento tão necessário para o início da solução de nossas tragédias.

Gosto demais da frase da jovem artista Zoe Lilly, que disse:

“Quanto mais maduros, menos ofendidos ficamos.
Quanto mais satisfeitos, menos comparações fazemos.
Quanto mais amados, menos afirmação precisamos.”

De fato, não precisamos das redes sociais para ser feliz, mas, sim, de deixar de “meninices”, de nos ofender menos, de fazer uma leitura correta de mundo, das pessoas e dos relacionamentos.

De fato, não precisamos das redes sociais para ser feliz, mas, sim, de mais gratidão no coração e deixar de achar que somos os “coitadinhos” e que a grama do jardim do vizinho é sempre mais verdinha do que a nossa.

De fato, não precisamos das redes sociais para ser feliz, mas, sim, de amar mais e colher desse amor. Dessa forma, o desejo da afirmação através de “meia dúzia de curtidas” nos parecerá tão ridículo que nos aperceberemos que é muito mais inteligente viver a vida que temos, do que tentar mostrar o glamour de uma vida que só existe no reino subjetivo de uma mente insatisfeita.

Finalizo esse ensaio com a melhor forma de retratar a satisfação que está em nosso coração: o reconhecimento do salmista, rei Davi, sobre o motivo da sua felicidade:

“Mais alegria colocaste no meu coração, do que a alegria
deles quando lhes há fartura de cereal e de vinho” (Sl. 4.7)

Ou seja, a alegria de um homem deve ser unicamente pelo fato de tê-la no coração porque fora colocada por Deus – definitivamente não está condicionada a nada.

Soli Deo Glória!

Pr. Élio Morais

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