Estamos vivendo dias terríveis, muito difíceis, onde o mal triunfa sobre o bem na família, na política, nos negócios, nas relações sociais e interpessoais, e também na igreja local. A operação do erro e da iniquidade acontece de uma maneira devastadoramente real e somos tomados de uma expectação horrível de que o mundo está descontroladamente perdido e sem jeito.
Ao contemplarmos nossa época e vivenciarmos essa crise sem precedentes, de honestidade, de caráter e de integridade, teremos que concordar sim com o grande escritor Ruy Barbosa, quando diz:
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra…”.
É tanto erro, tanta sujeira, tanta enganação (tantas vezes e de tantas maneiras), que desiludidos e perplexos empreendemos uma caminhada inglória, com a toalha na mão prontos para jogá-la ao chão, e começamos a agir como se nada de bom existisse, como se gente de bem não pudesse mais ser encontrada, nem coisas boas e virtuosas e, tampouco, vislumbramos a possibilidade de que algo bom possa acontecer. Então somos tomados, eu diria, pela síndrome de Elias: um conjunto de sinais ou sintomas que começam a tomar conta de nós, sentimentos ruins mesmo, que nos paralisam e nos levam a fazer uma leitura errada do mundo. A frustração e o pessimismo tomam conta da nossa mente e do nosso coração. e achamos que o mal não somente triunfou, mas aniquilou com todos e, à semelhança de Elias, queremos também entrar numa caverna e morrer.
O maior perigo dessa síndrome são as generalizações que invariavelmente acontecem e são extremamente nocivas e nos atrapalham demais, pois pior do que o mundo difícil em que estamos vivendo é achar que todos nele são iguais e agem da mesma forma.
Está de fato tudo muito difícil, isso é inegável! Definitivamente os dias são maus, mas não podemos cometer o gravíssimo erro que Elias cometeu ao achar que não havia mais ninguém justo no mundo! Foi uma generalização grave e terrivelmente nociva! Elias achou que todo mundo era igual ao rei Acabe e sua mulher Jezabel! Elias achou que os fiéis da terra haviam todos sido extirpados!
Quando agimos dessa maneira insana nós corremos o risco de cometer muitas injustiças! Nós corremos o risco de ficarmos cegos para aquilo de bom e maravilhoso que Deus tem conservado no mundo! Nós corremos o risco de desconsiderar que o Deus soberano tem tudo em Suas mãos e que definitivamente não tem nada fora do controle absoluto que Ele tem sobre todas as coisas!
Podemos constatar o avanço descontrolado do mal e da corrupção no mundo sem, contudo, achar que não há mais homens virtuosos nele! Podemos admitir que a desonestidade tenha chegado a níveis horrorosos e avança de forma incrivelmente assustadora, mas não precisaremos deixar de termos olhos que enxerguem muita gente séria e honesta, e muitos, provavelmente, bem próximos de nós!
Pode ser inegável, por exemplo, que a promiscuidade e a banalização do uso do corpo estejam se alastrando e assumindo contornos alarmantes, e sendo estimulados de maneira cruel e perversa por setores de nossa sociedade que deveriam defender a moral e os bons costumes, mas jamais será verdade que não há mais nenhuma pessoa séria no mundo, que seja leal, fiel e verdadeira, e que valorize a família.
É inegável que estamos vivendo dias horrorosos? Sim é! Mas é inegável também que há muita gente boa e séria no mundo! Há gente sim que não se corrompe, que não sonega, que paga suas contas em dia! Há marido fiel sim! Há homens de negócio que são exemplares! Existem sim jovens que não se contaminam com as imundícies do mundo, filhos que obedecem e que honram seus pais! Há pastores sim que não se apascentam e cujo Deus não é os seus ventres! Há homens e mulheres sim que odeiam a mentira, que cumprem a lei, que não se pervertem, que promovem a paz, que são voluntariosos e sensíveis às necessidades do próximo.
Enfim, voltando a Elias, Deus o surpreende e lhe assevera:
“Há sete mil que não se dobraram para Baal!”
Deus, com a longanimidade que Lhe é peculiar, trás Elias de volta à lucidez dizendo-lhe:
– Elias, há ainda muita gente boa no mundo, trate de encontrá-los e somar-se a eles, e faça a diferença! Não fique olhando paralisado para o que está ruim, olhe para frente e faça com que o seu mundo fique melhor pra se viver!
E, como o nosso Deus tem um profundo senso de humor, a primeiríssima pessoa que Elias vai encontrar nessa nova perspectiva de vida é aquele que se tornará o seu valoroso sucessor: Eliseu – homem maravilhoso, correto, piedoso e extremamente parecido com o próprio Elias, quanta ironia.
Faltam agora seis mil novecentos e noventa e oito para serem encontrados – abaixo as generalizações!
Que tenhamos olhos e boa vontade para encontrarmos e valorizarmos as pessoas de bem nesse mundo mau!
Pr. Élio Morais
Pastor Élio que texto edificante! Estou maravilhado e agradecido por Deus está lhe usado para o engrandecimento Dele nesta terra. Parabéns meu pastor! Que o Senhor da glória continue abençoando sua vida hoje e sempre.
Obrigado, querido amigo, seu feedback é um estímulo pra mim! Abraço na sua linda família!