A mentira sordidamente diz que o certo é errado, que o verdadeiro é falso, que o bonito é feio, que o bom é mau, que a luz é treva, que o doce é amargo, e que a vida é morte.
A mentira impõe dúvida, deturpa, mancha, contamina e destrói – ela é sórdida assim como o seu pai o é.
A mentira traz tristeza e destruição desde que o mundo é mundo, e no seu rastro as consequências são devastadoras. Quando a Palavra de Deus diz que o diabo, pai da mentira, mente desde o princípio, é simplesmente porque ele se tornou diabo desde que mentiu pela primeira vez para os anjos, dizendo que seria possível ser igual a Deus.
Talvez um dos maiores problemas com a mentira seja o fato de não faltar quem acredite nela. É isso mesmo, não faltam seguidores para os mentirosos. Um mentiroso sempre encontrará um ou mais que queiram segui-lo. Foi assim quando Satanás ainda era Lúcifer: ele conseguiu arrebanhar uma multidão de anjos para correrem atrás da mentira.
Segundo a escritora francesa Anais Nin, “A origem da mentira está na imagem idealizada que temos de nós próprios e que desejamos impor aos outros”.
Essa declaração é reveladora, pois devemos observar que se trata de uma imagem “idealizada” e não uma imagem real daquilo que somos.
Muito provavelmente, o mentiroso é alguém que não conseguindo satisfazer-se com o que é ou com o que faz, adota a mentira não somente como rota de fuga de sua infeliz realidade, mas como um meio de vida que atenua suas dores e frustrações, especialmente nas relações com outras pessoas.
Muitos seres humanos são afeitos às mentiras porque ilusoriamente elas lhes facilitam a vida. Quando alguém cogita do recurso da mentira, este tem em suas mãos um poderoso instrumento de manipulação que, a princípio, o fará sentir-se dono das situações, um verdadeiro deus mesmo, mas não sabe o mentiroso que os seus dias de engano e destruição estão absolutamente contados, pois enveredar-se pelo caminho da mentira é seguir pelo caminho da derrota, pois o maior aliado do mentiroso é e já está derrotado.
O famosíssimo filósofo e ensaísta inglês, Francis Bacon, considerado o fundador da ciência moderna, também disse algo impressionante sobre a mentira:
“A mentira revela alma vil, espírito apoucado e caráter viciado”.
Não é sem motivo, portanto, que quem mente desagrada profundamente ao Deus de toda Verdade e Consolação, pois quem mente está fazendo aquilo que o inimigo de Deus e de nossas almas faz desde o princípio.
Mas a mentira não é sórdida e cruel apenas com aqueles que foram vitimados por ela, não. Ela o é muito mais para aqueles que dela fazem uso, pois os que são vítimas da mentira tem Aquele que é verdadeiro e que traz luz sobre todas as coisas como um aliado, ao passo que o que mente O tem como Juiz.
Ela também é cruel para com os que dela fazem uso, porque ela escraviza e impõe um terrível jugo sobre os seus usuários, uma vez que dar manutenção a uma mentira é penoso, humilhante, cansativo e fator desencadeante de grandes ansiedades, pois batalhar contra uma consciência pesada não é, e jamais será uma batalha fácil.
Um homem muito importante e influente nos séculos recentes, Padre Antônio Vieira, filósofo e escritor português, disse algo tremendo sobre esse assunto:
“Para não mentir, não é necessário ser santo, basta ser honrado, porque não há coisa mais afrontosa, nem que maior horror faça a quem tem honra, que o mentir.”
Não lucra nada quem mente! Talvez, por isso, a maravilhosa afirmação do Senhor Jesus:
“…e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
Se a mentira é escravagista, a verdade é libertadora!
Jesus é a Verdade!
Pr. Élio Morais